Choque cultural

Quem veio pro Japão há mais de 10 anos já viu muita coisa mudar. Mas o choque cultural perante realidade brasileira, quando se chega no Japão, continua grande. Como exemplos vamos falar sobre alguns aspectos econômicos, sociais, profissionais e tecnológicos.

Somos latinos falantes, abraçamos e gesticulamos um bocado. Aqui os orientais são recatados e quase não os escutamos. Quase não se vê pessoas abraçadas, e beijo em local público, nem pensar! E a parede das casas? A gente acostumado com largas estruturas de concretos, e no Japão, estruturas um tanto frágeis e finas. Passa todo tipo de barulho, quando subimos a escada, derrubamos algo, chamamos pra comer e quem sabe até a televisão ligada. Além de sermos um país musical. Daí acabamos sendo rotulados de barulhentos. O movimento cultural nos incentiva a nos posicionar e até a questionar. Mas aqui nosso temperamento quente de povo latino, precisa ser esfriado. Falar mais baixo, respeitar mais a cultura local e nos adaptar melhor.

Do bonde ao trem bala

Quem nunca olhou um celular, tipo Nokia modelo anos 2000 na mão de um japonês e não se chocou? A pergunta vem na sequência: isso ainda se usa aqui? No Brasil, quase não existe mais modelo de celular que não seja um smartphone para vender. E que tal enviar um fax? No Japão isso também é possivel. Ao mesmo tempo você vai a um restaurante e um robô atende você. Como assim, tantos contrastes? É um choque cultural e tanto!

O Japão possui cultura milenar, datado muito, mas muito antes do nossos anos 1500 dC, do descobrimento do Brasil. Então a preservação de alguns itens tecnológicos são apreciados, inclusive temos colecionadores do mundo todo, que buscam nos leilões japoneses, itens raríssimos, de cheirar a naftalina no armário da vovó! Alias tem geração que já nem sabe o que é naftalina. o_O

A tecnologia não pára por aqui, o bonde em trilhos funciona e os ônibus elétricos também, os carros híbridos, o trem bala, e o que dizer do navio de containeres totalmente autônomo? Este último, foi testado em janeiro de 2022, partindo de Fukui para Tottori, que está a nos supreender cada vez mais.

As crianças e sua liberdade de ir e vir

Todas as manhãs estão o grupo de pais espalhados nas esquinas para garantir a travessia segura das crianças em vários trajetos para as escolas. Já que aqui as crianças a partir do 1º ano escolar, vão sozinhas. Choque! As crianças não vão exatamente sozinhas, elas se reunem num ponto de encontro determinado, de lá o grupo segue num trajeto definido. No Brasil, por diversos motivos, raramente as crianças vão sozinhas ou em grupos de crianças. Quem não teve o coração apertado ao deixar o filho ir pra escola japonesa sozinho… ou a pé no inverno?

E os pés dos bebezinhos, sem uma meia sequer durante o inverno? São várias atitudes como essa, que pra nós brasileiros choca e muito! Mas ao procurar entender melhor os hábitos locais, descobri que várias atitudes que eles têm, tem um benefício em comum: sobreviver às catástrofes naturais. Um corpo mais resistente ao frio, a falta de alimento, ou seja, com uma maior resistência física, não importando sua idade. Inclusive a prática de alongamento e atividades físicas, pra manter corpo e mente ativos é umas das práticas recorrentes, em todas idades.

É um choque atrás do outro

Quantos dos brasileiros que chegaram há cerca de 10 anos, vieram pra cá e deixaram numa gaveta no Brasil, seus diplomas. A grande maioria vem pra trabalhar em fábricas, como operários e operadores de máquinas. Nem imaginam exercer suas profissões no Japão.

Mas ainda sim, existem fábricas que tem planos de carreira, possibilitando que seus colaboradores se tornem líderes. A Sankyo dispõe de vagas com plano de carreira, se você tem interesse, confira as opções.
Temos estrangeiros que trabalham na informalidade como vendedores, confeiteiras e até cabelereiras. Mas a informalidade aqui pode ser ilegal, já tivemos casos onde a polícia foi acionada, para conferir se naquela residência, alguma profissão era ilegalmente exercida, como no caso recente de vietnamitas que foram presos por ter um salão de cabelereiro sem certificação exigida por lei.

Seja com as máquinas de auto atendimento (jidouhanbaiki) em praticamente todo canto, como os banheiros, a limpeza das ruas e lugares públicos, e a gentileza nos atendimento, como não se supreender… Agora sua vez, conta pra gente, qual foi seu maior choque cultural ao chegar no Japão.

Fonte:

G1

Comentários

    • Kurahashi M - 26/02/2022

      Ótima matéria.
      Muitos estão aqui há anos, mas ainda tem resistência em aceitar essa realidade e vivem frequentes conflitos. Inconformados, afetam o ambiente onde frequentam.
      Seria bom fazer alguma matéria lugar a ÉTICA para que os inconformados se conscientizem para conforto de todos (o próprio, o empregador, o cliente e colegas de trabalho)

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      • Jack Haneda - 28/02/2022

        A equipe agradece, Sr Kurahashi! Estamos empenhados em trazer um conteúdo que possa ser leve e informativo ao mesmo tempo. Vamos inclusive anotar sua sugestão para próxima pauta.
        Mantenha-se conectado!

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